A projeção era de que o Brasil perderia 1.200 milionários em 2025. Para onde os brasileiros ricos estão olhando agora?

Joseph Boll — CEO & Founder, Frederick Capital

A mobilidade da riqueza brasileira está se tornando uma tendência de 2026. Por que famílias afluentes estão considerando segunda cidadania, residência global e um Plano B mais sólido hoje.

A projeção era de que o Brasil registraria uma saída líquida de 1.200 milionários em 2025, segundo o Henley Private Wealth Migration Report 2025, produzido com a New World Wealth. O relatório apontou o Brasil como a maior origem projetada de saídas líquidas de milionários na América Latina e identificou os Estados Unidos — especialmente a Flórida — ao lado de Portugal, Ilhas Cayman, Costa Rica e Panamá como destinos populares para brasileiros de alto patrimônio que deixam o país.[1]

Esse número merece contexto.

Trata-se de uma estimativa do setor privado sobre migração líquida de milionários, não de uma estatística oficial brasileira. Não significa que todas as 1.200 famílias se mudaram permanentemente, que todos os ativos saíram do Brasil ou que todo brasileiro rico decidiu se realocar. Certamente não prova que o Brasil esteja em colapso.

Mas é um sinal claro de uma tendência mais ampla: mais famílias brasileiras afluentes estão pensando internacionalmente sobre onde poderão morar, investir, educar os filhos, construir negócios e manter opções de longo prazo.

Para muitos brasileiros ricos, a pergunta já não é “Devemos sair do Brasil?”. É “Como evitamos que todas as opções da família estejam ligadas a um único país?”.

É aí que a segunda cidadania, os direitos de residência no exterior e um Plano B genuíno entram na conversa.

Uma tendência de opcionalidade, não uma história de êxodo

É fácil transformar um número de migração em uma narrativa dramática. Isso não é útil e não é preciso.

O Brasil continua sendo uma economia grande e diversificada, com profundo talento empreendedor, famílias sofisticadas, empresas globais e uma classe investidora cada vez mais internacional. O Fundo Monetário Internacional descreveu a economia como resiliente em sua consulta do Artigo IV de 2026 e projetou crescimento real do PIB de 2,4% em 2026.[2]

Ao mesmo tempo, a mesma avaliação do FMI projetou inflação de 5,6% ao final de 2026, apontou incerteza global elevada e destacou pressões fiscais e de custo de captação como riscos relevantes.[2] Esses não são motivos para uma decisão emocional sobre cidadania. Fazem parte do contexto que pode levar famílias com visão internacional a considerar diversificação.

A maneira mais útil de interpretar o número de 1.200 é como sinal de que a mobilidade da riqueza se normalizou. A família moderna de alto patrimônio pode manter seu negócio principal no Brasil, preservar laços familiares e culturais próximos ali e ainda construir vínculos jurídicos, residenciais, educacionais ou de investimento em outros lugares.

O que a projeção de 1.200 sugereO que ela não prova
Alguns brasileiros afluentes estão ativamente considerando realocação internacional ou opções de residênciaQue todo brasileiro rico está saindo do Brasil
A mobilidade global está se tornando parte do planejamento patrimonial privado mainstreamQue todos os ativos saem quando uma família muda de residência
Flórida, Portugal, Caribe e opções na América Central seguem como referências relevantesQue um destino é automaticamente adequado para toda família
O valor de um Plano B aumentou para alguns domicíliosQue uma segunda cidadania elimina obrigações legais, tributárias ou de reporte

Por que 2026 parece diferente

A conversa de 2026 vai além de impostos ou viagens. Ela está na interseção entre planejamento econômico, um ciclo eleitoral ativo, o estilo de vida familiar e uma mudança global na forma como pessoas afluentes veem sua relação com países.

As eleições gerais brasileiras de 2026 estão marcadas para 4 de outubro, com possível segundo turno em 25 de outubro. O calendário eleitoral abrange a Presidência, os governos estaduais, o Congresso e as assembleias legislativas.[3] É inteiramente normal que famílias reavaliem planos de longo prazo em um ano eleitoral. Isso não exige que adotem uma posição partidária nem que tomem decisões apressadas. Significa apenas que questões de política pública, moeda, tributação, mobilidade de capital e estilo de vida ficam mais visíveis.

Ao mesmo tempo, a mobilidade internacional já não está reservada a um pequeno grupo de expatriados tradicionais. Os filhos podem estudar no exterior. Empreendedores podem ter clientes nos Estados Unidos ou na Europa. Famílias podem dividir seu tempo entre São Paulo, Miami, Lisboa, Dubai e o Caribe. Negócios digitais tornaram a localização mais flexível, enquanto escolas internacionais, trabalho remoto e plataformas globais de investimento mudaram o que uma “base” pode significar.

O relatório de 2026 da Henley & Partners descreve isso como um movimento em direção a “portfólios soberanos”: famílias combinando direitos de residência, cidadanias, investimentos e interesses empresariais em várias jurisdições, em vez de vincular todos os aspectos da vida a um único país.[4]

Esse enquadramento é útil mesmo para quem não gosta da expressão. A ideia é simples: resiliência vem de ter escolhas.

Por que os Estados Unidos seguem centrais na conversa brasileira

Os Estados Unidos, e a Flórida em particular, permanecem uma referência natural para brasileiros afluentes. A familiaridade cultural, os vínculos comerciais diretos, as comunidades brasileiras, as escolas internacionais, o mercado imobiliário e a facilidade de viagem tornam o país um destino lógico para famílias que olham para além do Brasil.[1]

Contudo, um plano de estilo de vida nos EUA e um plano de imigração nos EUA não são a mesma coisa.

Uma família pode ter imóvel na Flórida sem ter direito de longo prazo de morar lá. Um negócio pode atender clientes americanos sem que a família tenha uma solução de residência nos EUA. E o desejo de passar mais tempo nos Estados Unidos não determina automaticamente a melhor rota para cidadania, planejamento tributário ou mobilidade familiar.

É por isso que muitos clientes brasileiros hoje consideram um portfólio de opções, em vez de um único destino. Uma conexão com os EUA pode permanecer comercial e pessoalmente importante, enquanto outra cidadania ou rota de residência oferece flexibilidade em outro lugar.

Objetivo da famíliaPerguntas que uma família brasileira deve fazer
Uma futura conexão de estilo de vida ou negócios nos EUAQual status imigratório americano, se algum, é realmente necessário? Quais são as implicações tributárias e de presença física?
Uma nacionalidade adicionalDe qual país nos sentiríamos genuinamente confortáveis em ser cidadãos, além dos benefícios de viagem?
Opções familiares na EuropaO objetivo real é uma autorização de residência ou uma rota de cidadania, e estamos preparados para as obrigações associadas?
Uma base no CaribeA ilha, o programa, o imóvel ou a rota de contribuição fazem sentido como uma conexão familiar real?
Resiliência de longo prazoComo cidadania, residência, bancos, seguros, planejamento sucessório e estruturas empresariais funcionarão juntos?

A resposta será diferente para cada família. Mas a disciplina de fazer as perguntas é a mesma.

Onde se encaixa a cidadania por investimento no Caribe?

Para algumas famílias brasileiras elegíveis, a cidadania por investimento no Caribe (CBI) está entrando na conversa porque pode oferecer uma nacionalidade adicional lícita sem exigir realocação total imediata.

Não é uma solução universal. Um passaporte caribenho não é um Green Card americano. Não cria direito automático de morar na Europa. Não elimina obrigações tributárias brasileiras, deveres de reporte ou a necessidade de assessoria jurídica e financeira. E nunca deve ser adquirido apenas porque uma tabela de viagens sem visto parece atraente hoje.

Mas uma segunda cidadania pode ser significativa quando tratada como um vínculo jurídico de longo prazo com outro país, e não como um produto de viagem.

Para a família que quer um Plano B, o valor pode estar em ter outra nacionalidade, uma relação jurisdicional adicional, uma possível base imobiliária no Caribe e mais de um conjunto de escolhas futuras. A adequação depende do país, do programa, do perfil de compliance da família e da estratégia mais ampla.

Granada: uma opção caribenha para famílias que buscam substância

O programa de cidadania por investimento de Granada é uma rota que famílias brasileiras podem querer avaliar. Granada é relevante não porque ofereça uma solução mágica, mas porque pode conceder a candidatos elegíveis uma cidadania adicional genuína em uma jurisdição caribenha de língua inglesa, ao lado da opção de considerar projetos imobiliários aprovados.

Uma rota liderada por imóvel pode ser atraente para a família que quer que sua decisão de cidadania esteja ligada a um lugar que poderá efetivamente usar. Por exemplo, o One True Blue Beach Hotel & Residences, em True Blue Bay, St. George’s, é descrito pela Frederick Capital como um empreendimento Tapestry Collection by Hilton sob gestão da Hotel Equities. A página informa que as cotas qualificadas Classe B começam em aproximadamente US$ 285.000 e que a propriedade fracionada de 1/8 de cobertura é oferecida a US$ 330.000, com período mínimo de retenção de cinco anos.[5]

Isso deve ser tratado como ponto de partida para due diligence, não como razão para investir sem perguntas. Um cliente brasileiro deve compreender a estrutura de propriedade, o período de retenção, a relação com o operador, as taxas, a documentação do projeto, os riscos de revenda e o status atual de aprovação no CBI antes de se comprometer.

O investimento CBI correto deve fazer sentido como país e, quando aplicável, como ativo — não apenas como rota para um passaporte.

Cidadania, residência e tributação são coisas diferentes

Um dos erros mais comuns no planejamento de mobilidade global é tratar todo status internacional como se cumprisse a mesma função.

Não é assim.

StatusO que pode oferecerO que não oferece automaticamente
Segunda cidadaniaUma nacionalidade legal e passaporte emitidos por outro país, sujeitos às suas leisResidência fiscal, um status imigratório americano ou direito garantido de se estabelecer em todos os países
Autorização de residênciaPermissão para morar em um país específico sob condições definidasUma segunda cidadania ou benefício permanente de viagem global
Propriedade de imóvelUm ativo ou base de estilo de vidaDireitos de residência, cidadania ou resultado garantido de investimento
Residência fiscalA conexão tributária de um país com base em fatos e na leiUm substituto para cidadania ou status imigratório

Para famílias brasileiras com ativos ou negócios internacionais, essa distinção é especialmente importante. A decisão de adquirir uma segunda cidadania deve ser tomada em conjunto com — e não em substituição a — assessoria de profissionais brasileiros e internacionais de tributação, direito, planejamento sucessório e investimentos.

Um bom assessor deve se sentir confortável em dizer que o cliente não precisa de CBI, que uma autorização de residência pode ser mais adequada ou que a família deveria organizar sua documentação antes de escolher um programa.

O estilo de vida agora faz parte da decisão de migração por investimento

A próxima geração da riqueza brasileira não pergunta apenas sobre impostos e negócios. Pergunta sobre qualidade de vida.

As famílias querem acesso a educação, saúde, segurança pessoal, comunidade internacional, clima, conexões de viagem e um estilo de vida que funcione entre gerações. Podem querer uma base insular que possam usar com filhos e avós, uma residência europeia para educação ou uma conexão norte-americana para negócios.

Isso não torna todo destino estrangeiro melhor que o Brasil. Significa que lugares diferentes podem cumprir papéis diferentes na vida de uma mesma família.

O Caribe pode ser atraente porque oferece uma escala mais humana que uma grande cidade internacional: proximidade da América do Norte, um estilo de vida ligado ao mar, jurisdições de língua inglesa e opções imobiliárias que podem integrar um plano de mobilidade maior. Mas precisa ser avaliado com honestidade. Capacidade de saúde, conectividade aérea, escolas, serviços profissionais e infraestrutura cotidiana variam por ilha. A opção correta é a que corresponde às expectativas reais da família.

A tendência de 2026: as famílias estão construindo opções mais cedo

A verdadeira tendência de 2026 não é simplesmente que pessoas ricas estejam migrando. É que estão planejando mais cedo.

Em vez de esperar por uma mudança política súbita, uma disrupção nos negócios, uma emergência familiar ou a carta de aceitação universitária de um filho, muitas famílias estão começando a construir suas opções internacionais com antecedência. Estão reunindo documentos, avaliando países, testando destinos de estilo de vida e decidindo se uma segunda cidadania, uma autorização de residência ou ambas fazem sentido.

Para brasileiros de alto patrimônio, a projeção de 2025 de 1.200 saídas líquidas de milionários é um gancho útil porque chama atenção. Mas a história mais profunda é sobre uma geração global de famílias que não presume mais que um único país deva atender a todas as necessidades futuras.

A riqueza brasileira continua empreendedora, internacional e profundamente conectada ao Brasil. Um Plano B não precisa mudar isso. Pode simplesmente dar à família mais espaço para decidir o que vem a seguir.

A visão da Frederick Capital

O Brasil não se tornou um país do qual toda família afluente precise sair. Nem uma segunda cidadania é a resposta certa para todo brasileiro.

Mas os dados e as conversas com clientes apontam na mesma direção: mais famílias brasileiras estão considerando a mobilidade global como parte de um planejamento normal de longo prazo. Estão olhando para a Flórida e Portugal, para o Caribe e a América Central, para estilo de vida e educação, para continuidade dos negócios e opções familiares.

Para o cliente elegível, o CBI caribenho pode ser uma camada útil nesse plano. O essencial é começar pelos objetivos reais da família, aplicar due diligence adequada e escolher um país e uma rota de investimento que continuem sensatos muito depois de as manchetes mudarem.

Para comparar programas de cidadania por investimento no Caribe, Granada e outras opções internacionais para famílias brasileiras, agende uma consulta privada com a Frederick Capital. Vamos ajudá-lo a transformar uma manchete em uma estratégia adequada à sua família.

Importante: Este artigo é informação geral e comentário de mercado, não assessoria jurídica, tributária, imigratória, de investimentos ou financeira. Estimativas de migração são pesquisas direcionais do setor privado, não estatísticas oficiais brasileiras. Elegibilidade para cidadania e residência, tratamento tributário, adequação de investimentos, regras de programas e arranjos de viagem devem ser avaliados individualmente com assessores devidamente qualificados.

Revisão programada até 1º de janeiro de 2027.

Referências

[1]: Henley & Partners e New World Wealth, “Millionaires on the Move: UK Braces for Historic Wealth Flight as Global Migration Peaks”, 24 de junho de 2025
[2]: Fundo Monetário Internacional, “IMF Executive Board Concludes 2026 Article IV Consultation with Brazil”, 23 de julho de 2026
[3]: Tribunal Superior Eleitoral, “Eleições 2026: confira as principais datas do calendário eleitoral”
[4]: Henley & Partners, “Millionaires on the Move: Winners, Losers, and the Global Competition for Wealth in 2026”, 16 de junho de 2026
[5]: Frederick Capital, “One True Blue Beach Hotel & Residences”